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Ganho 32dB

Ganho 32dB (40x) versus Sensibilidade 0dBu/+4dBu

Qual a melhor opção para o trabalho em sistemas ativos?

Por Marcelo Barros

 

No Brasil existem uma grande variedade de ganhos e sensibilidades de entrada nas diversas marcas e modelos de amplificadores de potência existentes e disponíveis para o uso profissional. Esta grande diversidade exige cuidado na eventualidade de se misturar os diversos padrões em um mesmo sistema.

No exterior, as Sensibilidades, como as -10dBu (ou -10dBm), 0dBu (ou 0dBm/775mV) e +4dBu (1,2V) são geralmente associadas a amplificadores domésticos, de estúdio ou de instalação fixa, ao passo que os Ganhos ditos “fixos” (26dB/20x, 32dB/40x e outros) costumam estar associados a amplificadores para uso em P.A.´s (touring-class).

No Brasil a situação é um pouco mais complexa, pois aqui a atividade de sonorização começou utilizando-se amplificadores domésticos (que eram os únicos disponíveis até então) com suas altas sensibilidades de entrada (geralmente -10dBu, 0dBu e +4dBu) típicas do padrão doméstico e/ou de estúdio. Posteriormente, com a entrada dos amps importados os padrões de ganho fixo, que já eram corriqueiros no ambiente profissional lá de fora, foram sendo gradualmente introduzidos.

Com tantas opções disponíveis, a questão que se formou então era a seguinte: qual o padrão mais apropriado para o trabalho em sistemas? Ora, naturalmente o padrão que foi criado especificamente para o ambiente de sistemas multi-vias é o mais adequado! Portanto, vamos tratar de entendê-lo e justificá-lo.

No começo da sonorização profissional, importar equipamentos no Brasil era algo fora de questão. A importação era proibida ou muito cara (ou ambos!) portanto, as primeiras empresas de sonorização utilizavam amps domésticos adaptados em rack´s. São típicos desse período os Polyvox PM-5000 e os Gradiente A-1. Tais amps possuíam sensibilidades definidas para a sua potência máxima. Nestes dois exemplos (muito) típicos elas eram de 0dBu (775mV) e de +4dBu (1,22V).

A característica fundamental destes aparelhos é que foram projetados para serem utilizados sozinhos (apenas um amplificador no equipamento), em full-range. A ideia básica era: quando o pré-amplificador entregasse o nível de referência “0dB” do VU Meter, o amp deveria entregar a sua potência máxima. Nesse esquema, cada modelo de amplificador terá um ganho diferente (naturalmente) pois este dependerá da sua potência máxima em uma determinada impedância.

Isso faz muito sentido quando temos apenas um amplificador ligado a um pré-amplificador (ou mixer) e alimentando caixas full-range. Quando a mesa de som “der 0dB”, então o amp entregará a sua potência máxima.

Perfeito até então ...

Porém com o advento dos sistemas ativos multi-vias essa abordagem perdeu a utilidade, pois cada amplificador (ou conjunto de amplificadores) irá alimentar falantes muito diferentes (subwoofers, médio-graves, drives de agudo, etc). Tais falantes possuem sensibilidades também (e às vezes, drasticamente) diferentes. Enquanto alguns requerem milhares de Watts (os sub´s), outros se contentam com apenas algumas dezenas de Watts (os drivers).

Sendo assim, em sistemas multi-vias ativos o mais sensato é que todos os amps, não importanto a potência, possuam o mesmo ganho, de modo a facilitar o ajuste entre as vias que será feito por um crossover eletrônico analógico e mais recentemente, por um gerenciador digital de sistemas.

Também devemos considerar que, em um sistema dimensionado de forma razoável é certo que se usarão os amps mais potentes para os graves, os intermédiários para os médios-graves, os menores para os médio-agudos e assim por diante. Veja que isso não é necessariamente obrigatório, todos os amps poderiam ter a mesma potência (nivelado pela maior, claro), mas se forem de potência diferente, então que sejam distribuídos desta maneira.

Sendo assim (ou não), dentro do padrão de mesmo ganho para todos os amps, o sistema iniciará o alinhamento já “quase pronto”, pois a sensibilidade dos falantes geralmente aumenta com a frequência; portanto, a potência necessária diminuirá com a frequência, equilibrando-se naturalmente.

Em outras palavras, a menor potência dos amps de “altas” será compensada pela maior sensibilidade dos falantes “de altas” (a sensibilidade de um driver de agudos é normalmente muito maior que a sensibilidade de um woofer, por ex. – verifique as fichas técnicas dos fabricantes!)

Veja um exemplo de um sistema simples à 3 vias em um caso típico e utilizando-se amps de ganho fixo (32dB/40x) em todas as unidades (não se esqueça que estamos raciocinando em termos de potência, onde +3dB = 2 vezes a potência):

 

Via | Parâmetro

Potência p/ Falante

Potência Relativa Ganho do Amp

Sensibilidade

do Falante

Nível de Saída

do Crossover

Sub 1000W 0dB 32dB 100dB 0dB
Mid-low 500W -3dB 32dB 103dB 0dB
Mid-high 125W -9dB 32dB 109dB 0dB

 

Como se pode ver, neste exemplo nem sequer seria necessário ajustar os níveis de saída do crossover/gerenciador! O sistema já estaria nivelado “de cara”. É claro que na prática serão necessários ajustes, mas serão ajustes finos apenas; sempre!

Para comparação, veja como ficaria esse mesmo exemplo se apenas trocássemos os amps de ganho fixo por outros de mesma potência, mas com sensibilidade de entrada no padrão 0dBu (775mV) e usando o Mid-high como referência no alinhamento:

 

Via | Parâmetro Potência p/ Falante Potência Relativa

Ganho do Amp

(equivalente)

Sensibilidade

do Falante

Nível de Saída

do Crossover

Sub 1000W 0dB 41dB 100dB -9dB
Mid-low 500W -3dB 38dB 103dB -6dB
Mid-high 125W -9dB 32dB 109dB 0dB

 

Ficaram claras agora as discrepâncias? Esse padrão apenas gera mais trabalho para o técnico, além da deselegância de níveis de saída tão diferentes!

Outra desvantagem óbvia é que ainda estamos comprometendo a relação sinal/ruído de algumas vias, ao trabalhar com níveis tão baixos!

Além disso, amplificadores de grande potência calibrados nesse padrão exibem ganhos elevadíssimos (algo como 140x p/ 6.000W/canal/2Ω) o que aumentará o seu ruído de fundo (piora na relação sinal/ruído), além da amplificação dos ruídos induzidos pelos cabos de sinal (diminuição da CMRR).

Além disso tudo, se no meio do show algum amp tiver que ser trocado e for de potência diferente, o alinhamento terá que ser refeito e os limiters terão que ser recalibrados, mesmo se a sensibilidade dos amplificadores forem iguais!

Conclusão: apenas desvantagens! E nenhuma vantagem...

Por outro lado, com todos os amps com (o mesmo) ganho fixo nada disso acontece! E o sistema se alinhará quase que automaticamente, com o aproveitamento máximo do range dinâmico e da relação sinal/ruído do seu gerenciador e dos seus amplificadores.

E perceba também que, agora não há mais necessidade das potências serem "distribuídas", ou seja: potências maiores para os graves, menores para médio-graves, etc...  e nem mesmo "casadas" com as vias. Mesmo que se utilize a mesma potência em todas as vias, nada mudará no alinhamento. Isso proporciona uma grande flexibilidade para as empresas de sonorização, que poderão alocar seus rack´s de amplificadores de acordo com a necessidade, sem o compromisso de ter que alinhar o sistema toda vez que os amplificadores mudarem. A única restrição passa a ser a potência mínima necessária para cada grupo de falantes.

E ainda tem mais uma vantagem! Se no calor do trabalho algum amp do sistema parar, vc poderá usar qualquer outro disponível como back-up, de qualquer potência, que tudo continuará automaticamente alinhado. Inclusive os limiters!

O único “senão” parece ser o fato de algumas pessoas alegarem que amps de ganho fixo “soam baixo”, precisando de mais nível de saída das mesas e/ou gerenciadores. Ora, esse “soar baixo” é apenas uma impressão causada pela longa convivência com grandes amps calibrados em Sensibilidade. Lembram-se da ideia por trás dos amps domésticos? Quando o VU do mixer "batesse" 0dB .... pum! Potência máxima sendo entregue!

Em realidade, isso é algo totalmente subjetivo... e talvez alguns técnicos mais tradicionalistas se sintam um pouco "incomodados" ao verem os VU´s passarem de 0dB... mas o fato é que qualquer mesa de som ou gerenciador de sistemas tem nível de saída de sobra para excitar qualquer potência no padrão de Ganho Fixo, sem nenhum problema! Veja:

Considere como um exemplo extremo um enorme amplificador de 10.000W/canal @ 2Ω. No padrão 32dB/40x esse amp precisaria de +13dBu (3,53Vrms) para atingir sua potência máxima!

Porém qualquer mesa ou periférico profissional entrega, no mínimo +20dBu (7,75Vrms) nas saídas (vejam as especificações dos fabricantes) – mais que o dobro do necessário! Alguns modelos “TOP de linha” chegam a entregar +26dBu (15,4Vrms) – mais que 4 vezes o necessário!

Atenção para o fato de que, o nível de referência, ou "centro da escala", marcado "0dB" nos VU-Meters das mesas de som (e geralmente medindo +4dBu ou 1,2Vrms) nada tem a ver com o nível máximo de saída! Esse valor é apenas uma referência de mixagem, nada mais!

Agora veja o paradoxo: se o “normal” do mercado profisisonal fossem amplificadores necessitando de apenas 0,775Vrms (ou 0dBu) para se excitarem completamente, por que os fabricantes de mesas e periféricos insistem em níveis de saída tão mais altos?? (quase 20 vezes mais altos).

Ora, a resposta é simples: porque os amplificadores realmente destinados ao uso em sistemas ativos são padronizados assim no mundo todo! É um padrão universalmente adotado!

Por todas essas razões, a Série Pro-R da Next Pro foi padronizada com um ganho fixo de 32dB (40x) para todos os modelos, que é o ganho fixo mais utilizado em amplificadores profissionais. Essa é, sem dúvida, a escolha mais sensata para amplificadores que em 99,9% dos casos irão trabalhar em sistemas ativos multi-vias.

 

Conclusões:

 

► Para o trabalho em sistemas ativos multi-vias (os P.A.´s) o mais adequado é o Ganho Fixo (como o da Série Pro-R). O padrão de Ganho Fixo de 32dB (ou 40x) é o mais comum e sempre está presente, mesmo em amps que oferecem opções de ganho;

► Para instalações e outras aplicações onde sejam utilizadas caixas full-range (mesmo as distribuídas) a Sensibilidade de entrada (como a +4dBu/1,2Vrms) continua sendo uma boa opção (como a da Série Nano).


 
 
 
 
 
 

Amplificadores Next Pro by Next Digital